Cá estamos

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Refém do acaso é o próprio destino

Quando uma folha cai de uma árvore, a quem ou a quê atribui-se o feito?

Quando uma árvore é derrubada, a quem ou a quê a derrubam?

Somos destinos ou escolhas ("Eis a questão!")?

"Somos acaso!" . E as escolhas provenientes do acaso, o que são?

As folhas que caem das árvores, definitivamente, não são parte do destino mas, da Escolha...

Por coincidência, paraste para ler esta refelxão. E tu, o que farás da tua ceifa?

Guardarás?

Verás as folhas caindo ou esperará a queda involuntária da árvore?

Usarás?

Terás em tuas mãos a força e ESCOLHERÁS como usá-la?

Há uma resposta para nossas perguntas.... Apenas uma!

Que pergunta tens feito acerca de tua existência?















Quem sou eu

Minha foto
Robson de Souza, não sei se simplesmente ou se somente simples pois, a mente é deveras complicada!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Embriagues

Sem ter um alcool
Tampouco o vinho certo
Bebo imensidades de fel e voo
Caindo como quem cai de vez

Embriagado

Sem ter um novo alcool
Procuro pelo novo fel e vou
Sorrindo o sabor e vivendo o talvez


Certo é o alcool incerto
Este, o que se bebe em si e se perde em mim

É o alcool certo, o que procuro
Não tendo, porém do que beber, bebo a vida, alegrando-me
De beber o amargo, tornando-me o amargo
Alcool impreciso de se ser saboreado na última opção de se ser.

domingo, 5 de setembro de 2010

Novas voltas, velhos ciclos

Voltemos a quem fomos:
Flash; fotografia e pinturas bem ou mal realizadas...

Voltemos...
Um tic parece ruído incompleto
"Tic" - diz-se de si a primeira metade
Dizendo-se, então como é... Se oferece a um instante de nada

Completa-se a vida em um segundo; surge a tal "tac"
"Tac" - a dar propósito ao tempo
No aguardo das mechas, da dança, do canto da ativação do tempo

Fizeram-se "tic-tac" para todo o sempre

Voltemos...
Um dia tornei-me eu o refém do nada
Mais que um, talvez por muitos dias, noites esticadas... Variações variadas ao nada

Voltemos...
As alegrias são passagem a quê?

Voltemos...
Os dias frios e úmidos remetem ao deserto
Da solidão das ações do ignorado pelo mundo surgiu a minha salvação

Quisera eu mudar quem sou desativando quem não sou

Voltemos...
A inocência deu lugar a quê?

Assim, a vida parece seguir:
Idas desinteressadas na vinda, voltando ao novo numa catarse
Do velho, coitado, restou o desejo de querer-se antes do medo de morrer
Agora, tardio, preso à gana juvenil, revive o estampido de um dia
Mais que um... Muitos... Dias em noites transformados

Assim, o permanente configurou a lógica:
Foi; sem volta se foi
Defendeu o que chamou "valores" até o fim dos ciclos sem volta

Viveu
Morreu
...
Desinteressou-se de si

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Duma folha que cai, imagens que surgem...

Olhei a ti, minha amiga...
Desfalecendo ao solo
Olhei fixo o teu balé necro-nupsial com o orvalho indolente
De quem separaste por tua rigidez ante os primeiros raios de sol, prevalecendo-te a este momento
De queda surda
O ar por ti passou e venceu a tua base seca
Arrastou demais companheiras que tuas, tornaram-te só
No deslize atmosférico tu moraste
Depressa, porém, permaneceste viva

A mim, permanece...
Caíste desidratada, vitimada pelo tempo
Caíste em permanente morte, morta

Indelével, tanto que na dúvida dos teus lampejos derradeiros, vi-me esverdeado

Vi por último o céu e as poucas nuvens girando
Por quase último, os lados do mundo presentearam minha vertigem...
Também fui ao solo
Depois de ti, chegou minha hora, vou daqui para nós
Este resto de mim eu já não quero mais
Pereci
Da minha única viagem eu guardo a tontura azulada
Sem mais ziguezagues solitários
Sem mais noites com toda a face molhando, vagarosa no ato de preencher a vida com boa feição
Não, deixei-me ir pelas horas que restaram
E fui, viajei sabendo que não havia encontro com o arrependimento
Porém, arrependi-me por ir daqui sem sentir um pé no chão
Viajei... viajei. Durante o instante... viajei
E vivi não mais que um instante, vislumbrando os movimentos meus com a imagem do infinito

Vi pequeninos, os fragmentos de mim partirem
Deixando-me nua, frágil e suscetível a um endurecimento sem precedentes
Entretanto, endurecendo eu o meu centro, torno-me a fórmula do autocídio encorajada
Que posso eu dizer às folhas que surgem de mim, alimentando-me e, de um modo cujo programa eu não possuo, caem de mim para sempre?
Digo, porém, com meus galhos, que embora não esteja tão próximo o quanto querem, sustento os seus "ziguezagues" e, que estes não são de todo solitários
Eu as alimento com os nutrientes que elas produzem
E é com minhas raízes que fortaleço a margem do rio que dá vida aos lados do mundo...
Minha sombra é a mais fresca e elas ajudam no descanso de viajantes exaustos, covalescentes...
Que posso dizer mais?
Que é por elas que agora estou despida?
Por elas eu mantenho-me firme, propiciando às mudas de folhas que eu terei enquanto eu suportar o meu próprio peso
É por elas que morro, no aguardo do nascer primaveril
É por elas que vivo, tornando-me a mais bela e encorpada árvore dentre as espalhadas a esmo por toda a campina
Que posso dizer das folhas que foram?
Que por elas eu também fui!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Poesia Autodestrutiva

Estava a passar os olhos a cá
E os ouvidos ficaram lá em Tchaikovsky
A acalmar o que eu via
Via, que acalmava o que sentia
E ouvia...

E lia, lia textos infanto-adolescentes...
E sorria... sorria a inocência do amor de poucas palavras
Sentia a força instrumentada e bem falada
E ouvia, seguia com a alma os olhos e, sorria com os olhos as lágrimas...

E pensava em duas etapas o processo a envolver criação e absorção...
E bailava com os dedos como se fora Kissin a executar o Piano Concerto Nº 1
Dançando, ao mesmo tempo, os dedos constituidos a matar-me através da autrodestruição poética...

Pois, evidente, não estou a agradar gregos e troianos
Pois, evidente, o pobre russo é encoberto pelos alemãe-austríacos e nada sabem os intelectuais acerca da diferença entre alma e alma

É igual, é o que dizem, fruto de um só corpo
E as palavras não desenham abstrações

Os xingamentos nutrem a concretude das atitudes do homem

Os aplausos ganhos são só o mover das mãos incapazes de realizar proezas outras que não aplaudir

Os pingos de sangue estão a manchar a partitura...
As digitais estão a sumir neste teclado...
Os dedos ganham calos...
A mente torna-se uma espécie de erupção eternizada...
As pessoas parecem inspiração de obra bem feita e realizada...
Os olhos pairam, os ouvidos param, os movimentos persistem...
A obra dita morta é morta e morre na destruição consentida do artista!

Qual o sabor escondido no não vivido?

Parece-me que há um freio neste instante empurrando-me para o abismo da paralisia

Agora é calmaria: barco que segue ao desconhecido programa de viagem...

Autopiedade exacerbada

Qual a direção da pessoa que diz amar-me?

Vi na transparencia da brisa a razão de existir

Quando cantei uma música tosca, cantei a mim e fiz-me acompanhado por uma voz emprestada ao desencanto com o mundo

Desnudei-me sob o manto abafado; regozijei-me
Estampei na expressão sem dentes a alegria inventada
Inventei-me à escuridão por baixo das peles do meu corpo
Tranquei a entrada do calabouço e firmei minha morada

Ó amada minha, venha atrás deste novo verme e ascenda-o a velho homem
Exteriorize o que dizes ser o desejo do beijo em mim
Alimente-me com a tua carne e tempere-a ao teu gosto

Ó amada minha, não permitas que teu escravo morra
Mate por mim todos os leões prometidos ao deleite do público
Vingue-nos através da tua posição e termine nosso plano
Resgate-me e leve-me sobre teu cavalo para além das montanhas, naquele barco a espera de nossa felicidade...

Delírios, diagramas corrompidos, dimensões cardíacas comprometidas...

Ruídos, rumos descobertos, resplandecência a jazer no escuro d'almas...

Estou aqui, sob o frio, faminto e febril
A delirar naquelas tuas ondas das nossas madeixas...

Deixe-me... fico bem aqui

Tomei uns goles a mais de uma bebida menos interessante que esse momento...

Morri aos dez, onze, doze... revivi tão logo acordei, lá pelas tantas horas de tantos dias eu deixei de viver...

Renasci aos dois, três... enterrei-me aos vinte e seis

Acordei quando acordamos acerca da existencia

Recortei as linhas e as fiz cordões de proeminencia

Olhei ao horizonte e vi-me por trás das estrelas, acenando-me, com um raio encontrado na minha visão míope e participei da descoberta de Einstein

Retive espásmos catarrentos após cigarros bem fumados

Olhei ao nada e falei elétrico aos teus ouvidos desligados

E disse-te acerca da importancia da astrofísica

Caminhei noturno nas pradarias e chorei confuso enquanto carros passavam pelos dois lados da minha via

E via a vinda gelada da minha ida
Para o encontro da tua partida... perseguia-te enquanto distraia tua visão com arco-íris

Eu nada podia fazer senão apontar meu dedo indicador e torcer para sumirem...

Nada podia fazer... senão seguir-te em distancia segura à minha integridade de bom covarde

Neste momento, cá estou... perdido
Sem horas, nem dias de vida, no aguardo de novas horas e novos dias de vida...

Para então, tornar e seguir-te, apontar-lhes, esconder-me e sofrer

Por enquanto, vale a pena segura quando noto que por trás daquela estrela há um raio de imaginação a ser novamente enxergado

Levado pelos sons, vou-me embora do calabouço da loucura...

Cervantes gritaria: - Viva!

Também eu fico feliz com minha fuga de mim...

Ainda tenho gosto por alegrias e humor impróprio à educação elementar...

Ainda recordo e, quando noto que ainda estou a recordar, percebo o anterior ao fato e descubro o posterior à vida...

Cervantes diria: - É loucura!

E aqueles berros naqueles becos de bebedeira parece que têm também o cheiro do vício incrustado em suas paredes lusófonas...

As reticencias povoam instantes imemoráveis...

Aquele pé na bunda que levaste ainda dói em ti?
(O canalha do cérebro resolve alegrar-se entristecendo-me)

Posso desviar olhares, prender as retinas em um livro mais ameno que essa minha escrita estripante...

Volto a Cervantes e, este gargalha...

Gargalha o pobre Cervantes, no calabouço de sua solidão...

Menos mal que este mal pois, este ainda vive e pragueja contra o bem...

Chamo meus amigos robozinhos... olho-os...
Limitados movimentos feitos a alegrarem este corpo recheado de vida a viver...

O doido então suspende o ar e solta a voz: - Não valorizemos grandezas outras que não o altruismo!

Estou por aqui, encerrado na tentativa de passar o prólogo de Dom Quixote enquanto lá fora, além da fuga deste cárcere, há terra, grama, pessoas e mais cavernas, povoadas ou não, onde a vida é feita apenas a seres efêmeros, como eu, este inseto a voar a espera do bote!

Sou tomado por um tipo de agitação de rara ocasião
Fecho o livro, aumento o volume da música, penso em levantar-me e desistir...

É noite fria... solidão ancora distante, parece bela quando vista no escuro...

E a cafeína ficou como rastro de minhas inquietações...

Está bem, pessoas belas, inteligentes e simpáticas... eu estou rendido a vossos pés... façam de mim um subalterno visando vossa amplidão

Eu vejo a âncora abaixo do nível d'água e nado o nada, abro a expressão fechada do rosto com cara de poucos amigos e faço joguetes imbecís de palavras...

Quando não, apareço com cultura inútil e conhecimento pouco aproveitado...

Quem quer saber de Tchaikovisky e Cervantes?

Eu mesmo nada sei da vida de ambos... sei só (e muito só) que são ou foram e serão muito bons no que fizeram... Tchaikovisky escreveu loucuras e Cervantes cantou as suas, ambos valendo-se da instrumentalização da genialidade humana...

Quem quer saber de opinião?
Todos sabemos o máximo que podemos ou poderemos saber, certo?

Mas bem, ainda há o derradeiro fato a mostrar...

Não há piano
nem há leitura
Não há amada
nem há barco outro que não seja o barco bonito no escuro do qual vos falo, espelhantes congruos

E lá, loucos risonhos e normais tristonhos estão a partir e a gritar um "até" peculiar:
- Hasta!




A ti, café amigo!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Calor gerado ao frio da distância

Certa geleira foi vista, perdendo-se no mar
Tornando-se parte dos oceanos
Calorificando

Foi vista intacta no momento em que se saltou do Pólo
Navegou, a geleira, na solidão de sua companhia contigo

Deixara o sal - ficou ensimesmada, exigente
Deixara o óbvio em detrimento de si

Corajosa! Viu-se estagnando e seguiu ao fim

O fim da geleira que, agora menos rígida, a transformou
No reinício perdido em si, nos confins de além dos horizontes

Parece que há também para o lado de cá
Vestígios do desprendimento do bloco de gelo
Que não é nada senão água dessanilizada
Trocando o frio pela certeza do calor maior que há
Para lá, depois da linha da dúvida sobre a própria geleira

Ela foi, vai, viaja agora com os ares
Ela é solta! Esquenta mais a superfície o sol
E, quando próxima do céu ela grita:
- Como é linda a vida vista do azul!

Meu vagalume (por Kathiana Sousa)

Em emissões luminosas vejo-o
Vagalume
Transformando energia em amor
Noturno e resplandescente
Impulsionado em notável beleza
Carregando lembrança e desejo
De algum sonho que voou
Em sua luz fosforescente

Vagalume...
Meu vagalume!

Verdadeira bioluminescência

O brilho da sua luminosidade liberta
Aquece no inverno mais frio
O coração mais cansado
A essência desse fugor
Irradia em natureza estelar
Informação luminosa
Da metamorfose perfeita e completa
Que em um mundo
Onde tudo parece morrer
Depois de cem anos de solidão
O perdão pode ser encontrado
E do nada o amor é capaz de nascer
Da luz de um sonho espalhado
que traduz o doce gosto de ser
Um simples pirilampo apaixonado!!!

________

Kathiana, minha amiga

por quem às vezes até os passáros pousam
E as árvores recostam suas folhas a inércia instantanêa...

Vejo-te naquele lago, menina minha...

Lembro-me de quando nos vimos cara-a-cara
Lembro-me de quantos sorrisos trocamos na sacada daquele sonho realizado

É triste, amiga
Mas, de acordo com os ponteiros eu sigo rumo as voltas em mim
Eu volto, portanto, àquele dia que nunca nos ocorreu
Volto às nossas andanças por sobre o cavalo, naquele nosso deserto, lembras?

Sinto falta da realização de nossa primeira troca de olhares

Sinto falta e, posso passar por romântico cuja doença é paixão
Dos nossos instantes de sofrimento que tivemos um pelo outro
Entretanto, querida
Nada de real jamais nos ocorreu
Nada, além dessa admiração concebida em igualdade de idéias

Fico feliz, contudo
Por saber que somos um tanto assim
Seres feitos às possibilidades de sonhar!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Tarde na praia

Onde o sol reúne pessoas belas
Que se olham em busca da beleza às delas

Onde há quem baila sobre as ondas vastas
E quem admira o ponto bailarino ao longe

Há também o navio que se achega ao porto
Trazendo riquezas para os olhos gastos

O suor e a areia na bola que deixa a faixa
Viram rastros no calçadão ou na água do mar

Sob o guarda-sol há quem observe
O jovem casal a namorar nas pedras

Tudo é belo;
Ilustração de tudo naquela tarde na praia...

Tudo é belo...
Belo...
Belo demais!